20 de março de 2017 • 3:50 am

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A polícia de Alagoas e os bandidos que viraram terra de cemitério no Paraguai

  A piedosa conversa, em Alagoas, de que os bandidos malvados reagem e a policia eficiente tem de atirar para os criminosos virarem areia de cemitério, é discurso tão antigo que rasga, ao menos, dois séculos. Nos dois tempos históricos, a lei casual vale como argumento. Foi justificativa usada também por aqui, em 1867, quando o […]

bandidos

 

A piedosa conversa, em Alagoas, de que os bandidos malvados reagem e a policia eficiente tem de atirar para os criminosos virarem areia de cemitério, é discurso tão antigo que rasga, ao menos, dois séculos.

Nos dois tempos históricos, a lei casual vale como argumento.

Foi justificativa usada também por aqui, em 1867, quando o Brasil- ainda império- seguia recrutando pessoal para as fileiras da guerra do Paraguai.

Luis Claudio Batista, em sua monografia “Guerra do Paraguai: Peculiaridades do Recrutamento”, apresentada em 2010, pela Universidade Federal do Paraná,  derruba um tanto deste mito excessivamente patriótico em torno dos brasileiros que seguiam para o conflito.

Pobres, escravos, mendigos, gente inútil, ralé, vagabundos, desordeiros, gente sem expressão eram levados para a guerra. Morrendo, ficariam por lá. Alguns sobreviventes voltavam aleijados, amputados, marcados ou doidos, pelo tributo ao sangue derramado que os homens insistem em venerar.

E Alagoas? Não era diferente do quadro acima mas a disputa política e a violência na hora do recrutamento incendiavam as páginas do Jornal do Commercio, influente publicação da época e nacional, por óbvio circulando pelas mãos do imperador d.Pedro 2°.

Há relatos de abusos e violência. A lei casual era usada para valer a determinação do Império. O então presidente da província, José Martins Pereira de Alencastre, fechava os olhos para a barbárie. Homens casados viravam divorciados; arrimos de família eram transformados em desordeiros; mulheres grávidas ou mães desoladas assistiam a seus maridos serem arrastados para a guerra.

Saturnino Gomes de Oliveira, casado, tinha seis filhos. A mulher era cega. Foi posto a bordo do vapor Tocantins, direto ao campo de batalha. Foi assim com tantos e tantos outros, mortos, também, pelos nossos historiadores e suas alucinações heróicas.

“Indiscutivelmente os pobres eram os potenciais recrutas. Mais precisamente os pobres indesejáveis, quer dizer, migrantes, mendigos, vadios, enfim, todo aquele que não gozava de algum tipo de proteção”, escreve o pesquisador do Paraná.

Para não morrerem pelas mãos da polícia em Alagoas, pelo menos eles virariam terra de cemitério em legiões patrióticas.

Alencastre, goiano, patrono número sete da Academia Goiana de Letras, negava a violencia. Em seu relatório de prestação de contas anual, encaminhado para a Assembleia Legislativa alagoana, em 1867, o presidente da província cita o caso como “reclamações” e agarra-se à lei.

Para o teatro da guerra, Alencastre enviou ou arrastou 710 praças. Até aquele ano, Alagoas, diz o relatório, encaminhou dois mil homens, exaltando nosso patriotismo.

Não é bem assim, mostra o Jornal do Commercio.

Como no passado, procuramos uma forma de eliminar nossos bandidos sem sobrenome famoso, sem grau de parentesco em Brasília ou homenageados pela nossa impunidade.

E nossa policia segue piedosa, preservando a lei casual ou dando a outros bandidos o direito de partilharem dois dedos de prosa no inferno.

2 Comentários

  1. A EXCESSIVA GLAMORIZAÇÃO FANÁTICA AOS MELIANTES
    Joilson Gouveia*
    Desde que a antiga imprensa-livre (que era constituída de jornalistas, que noticiavam única, exclusiva, adstrita, circunscrita, circunspecta e especialmente à narrativa e à dissertativa da realidade, retratos e relatos sobre sua excelência geradora da notícia, o FATO!) se transmutou, se transformou e se arvorou de “agente-de-transformação-social”, como anelado, tecido, tramado e urdido pela “esquerda caviar”, rósea e de botequins, mormente após decisão recomendada pela “resolução da ONU” orientando sobre a extinção definitiva das briosas, que o FATO noticiado é uma ludibriada, dissimulada, sub-reptícia escamoteação subliminar de imputação de duvidosas, levianas, injuriosas, caluniosas senão difamatórias das ações resultantes da intervenção policial, há inúmeros, incontáveis e incalculáveis eventos, fatos e feitos nesse esquadro, mas citaremos apenas alguns mais recentes, a saber:
    a) http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia.php?c=28678;
    b) http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia.php?c=28732;
    c) http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia.php?c=28729
    d) http://www.alagoas24horas.com.br/1040860/confronto-com-policia-deixa-um-morto-e-outro-gravemente-ferido-em-maceio/.
    Notem bem, como chamar de suspeito um cara ou “sujeitos flagrados com mais de 230 quilos de drogas” (maconha prensada) ou de “cidadão” ou de “homem” alguém que “troca tiros com a polícia” ou “morreu em confronto” e etc. e tal? Onde os adjetivos para esses ditos “suspeitos” que somente morreram por causa da ação da polícia?
    À glamorização por bandidos, meliantes e delinquentes por parte da outrora “imprensa-livre” tornada “agente-de-transformação social” já se torna infensa, acintosa ou afrontosa à vida e aos cidadãos e cidadãs decentes da Sociedade, sobretudo aos das briosas; já é mais que explícita, ostensiva e risível senão adrede fundamentalismo fanático pelos coitadinhos oprimidos ou excluídos sociais tutelados pelas ONG’s de direitos humanos e por sua mais ferrenha, aguerrida e intrépida “santa-imaculada protetora Maria-do-Rosário”, sempre atoleimada, piedosa e chorosa por essas “vítimas da Sociedade”, mas sequer os adotam e os levam para suas próprias casas, como sugerido pela inteligente, brilhante, bela, coerente, contundente, culta e combativa Rachel Sheherazade.
    Ora, haja paciência! Desse jeito, “assim também já é demais”, como fora dito pelo ilustre sociólogo professor de Sorbonne, bem por isso temos dito, repetido e reiterado, a saber:
    a) http://gouveiacel.blogspot.com.br/2017/01/endireitar-e-preciso-e-sem-utopias.html;
    b) http://gouveiacel.blogspot.com.br/2017/02/urge-endireitar-nossa-patria-briosas.html;
    c) http://gouveiacel.blogspot.com.br/2017/01/estado-nao-se-presta-ao-cidadao-e.html.
    Ademais disso, é bem como diz Rodrigo Constantino em sua obra “Esquerda Caviar”, a saber:
    • “Todo burocrata da compaixão precisa de vítimas sociais para garantir o ganha-pão, assim como todos esquerdista caviar necessita de seus mascotes. Os grandes defensores dos fracos e oprimidos precisam de fracos e oprimidos, nem que seja necessários cria-los. Surgem, então, as ‘minorias vitimizadas’.”
    • “A visão coletivista da esquerda enxerga o mundo de modo maniqueísta, e cria categorias predominantes com base em uma única característica, que forma o indivíduo. Cada um tem um gênero, uma cor de pele, uma classe social, uma etnia, uma preferência sexual. O resto não importa.”
    • “Além disso, o coletivista costuma apelar para aquilo que Ludwig von Mises chamou de ‘polilogismo’, ou seja, existiriam lógicas distintas para cada grupo. O pensamento de classe, ou sexo, ou raça, importando apenas a identidade grupal. Como disse Ortega y Gasset: ‘para se formar uma minoria, seja qual for, é preciso que, antes, cada uma se separe da multidão por razões especais, relativamente individuais’.”
    • O coletivista não quer saber disso. O racista enxerga somente “raças”, o socialista, somente classes, a feminista, apenas gênero. Não importa que entre dois negros possa haver mais diferenças que entre um negro e um branco. Não importa que um trabalhador humilde possa ser liberal, enquanto um rico banqueiro defenda o socialismo. Não importa que algumas mulheres possam diferir entre sim como água e óleo.”
    Enfim, nem mesmo toda veracidade real, veraz e verídica dos fatos importa-lhes porquanto adeptos sequazes e séquitos fanáticos de Joseph Paul Goebbels, “o pai da mentira”: “uma mentira dita ou repetida por mil vezes se torna uma verdade”! E o que é pior: creem nisso!
    Abr
    *JG
    P.S.: Até a “mais alta corte totalmente acovardada” parece ter embarcado nessa onda: está indenizando os coitadinhos, que a própria justiça os pôs lá: nos presídios; nas celas subumanas, desumanas, apertadas e desconfortáveis. É ou não é o fim-da-picada!?

  2. Muito bom artigo Odilon, parabéns!

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