19 de abril de 2017 • 12:20 am

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Alagoas é a terra em que gente vira presunto, jogado no lixo pelas elites

O Governo anunciou nesta terça (18) o crescimento de 27% na quantidade de assassinatos nos três primeiros meses deste ano comparados ao primeiro trimestre do ano passado. 600 pessoas assassinadas; em 2016, 472. Em média, sete pessoas mortas todos os dias em Alagoas, vítimas da violência. Relatório de execução orçamentária do Governo, assinado pelo secretário […]

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O Governo anunciou nesta terça (18) o crescimento de 27% na quantidade de assassinatos nos três primeiros meses deste ano comparados ao primeiro trimestre do ano passado.

600 pessoas assassinadas; em 2016, 472.

Em média, sete pessoas mortas todos os dias em Alagoas, vítimas da violência.

Relatório de execução orçamentária do Governo, assinado pelo secretário da Fazenda, George Santoro, publicado em 31 de março no Diário Oficial do Estado, mostra que o Governo pretende investir 68,3% de todo o orçamento bilionário da Segurança Pública em policiamento, ou seja, polícia na rua.

Exclusivamente em policiamento, programam-se gastar R$ 794,8 milhões. A segurança pública tem orçamento de R$ 1,1 bilhão para 2017.

Em inteligência, a previsão é gastar 0,6% do orçamento da Segurança Pública.

Consequência lógica: a polícia vai matar mais; os policiais verão suspensas suas folgas, descansos, férias. Mais sobrecarga emocional.

Somente quatro áreas terão despesas na casa dos bilhões em Alagoas para este ano: a segurança pública; a previdência social; a saúde; e os encargos especiais (serviços da dívida interna, externa e administração geral).

E a educação?

Durante este ano, estão previstos gastos de R$ 772,6 milhões, incluindo os ensinos fundamental, médio, profissional, superior, infantil, jovens e adultos, educação especial e básica.

Um pouco menos que o dinheiro para o policiamento nas ruas.

No combate à violência, funciona em Alagoas o Conselho Estadual de Segurança.

Nesta mesma Alagoas, há 80 anos, o prédio do IML funciona no improviso.

42 corpos apodreciam em sacos no IML, no mês de fevereiro. Após jogo de empurra no poder público, os indigentes foram enterrados no cemitério Divina Pastora, onde até os cachorros roem os ossos dos defuntos.

Uma cena de terror.

Alagoas já teve presidente da República; presidente do Senado.

Alagoas tem dois ministros na era Michel Temer.

E continua a dever nas áreas sociais.

Uma dívida cobrada de quem já não tem mais como pagar.

Diz a Secretaria de Segurança Pública: 50% dos assassinados tem entre 18 e 29 anos. População em idade economicamente ativa, 80% deles pretos ou pardos.

Ou seja: pobres das favelas, grotas.

Esbravejar contra uma polícia esgotada por não corrigir nossa dívida social é ilógico. Áreas como saúde, trabalho, educação, cultura também são feitas de homens e mulheres, com cabeças e cérebros.

A área de segurança precisa de mudanças em conjunto. Do Judiciário ao Governo; da Assembleia Legislativa ao Tribunal de Contas. Criar ilhas eletrificadas é varrer o lixo para debaixo da tapete.

Alagoas não é terra de paz e sim um chão de ódio. Um ódio histórico. Que as elites tentaram esconder ao eliminar seus desafetos num passado não tão distante, através da Gangue Fardada.

O governador Renan Filho (PMDB) tem de ser duro em cobrar mais cidadania. Reagir contra o crime é desestabilizá-lo na raiz.

O eleitor sabe que o papel para o começo desta mudança cabe ao governador.

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