A Melhor Política

Mestra em Educação Brasileira na Linha História e Política, Cientista Social, cidadã, amante e defensora do direito de viver.

Manifesto Imprensa Livre

A democracia, para ser legítima, requer elementos distintos de atuação na sociedade, com a devida tolerância ao contraditório. Quando isso, por alguma razão, se torna impossível, a predação que se desencadeia tolhe os parâmetros democráticos, com prejuízo aos interesses coletivos, em detrimento da força.

Tudo o que é encarrilhado pela força se torna energia de embrutecimento. O convívio social minimamente salutar, não pode prescindir do diálogo.

Esse se torna o ponto fraco do fundamentalismo, dos conceitos moralistas e separatistas, que se apresentam como detentores da verdade. O outro se apresenta como o externo a ser combatido e eliminado.

Assim nos encontramos hoje, povo arrebanhado e doutrinado, não por ideologias de esquerda, pois estas requerem, para alcançar um processo de absorção intelectual, algum preparo cognitivo, sobre base racional. Mas, sim, por ideologias de extrema direita, que agregam por moralismos religiosos e sede de conservadorismo, algo fácil de obter.

A violência física logo surge, escolhendo público de classe, gênero, orientação sexual distinta e também campo de atuação política, entenda-se por isso, militância.

Perseguição oscilante entre o perfil velado e escancarado. Marginalização de quem pensa sob a própria responsabilidade, com autonomia de escolha. É possível ver democracia nesse cenário?

Ela está sendo intimidada, intimada também.

A imprensa está sendo obrigada ao servilismo contente enquanto a censura volta ao cenário brasileiro, pronta para segregar os profissionais que prezam pelo desempenho do papel social que lhes compete, e nesse caso, é informar a sociedade, gerar notícia.

Algo está sendo implantado nessa seara, e com certeza não é o chip temido por facções evangélicas. Mas uma mentalidade alienante, que em nome de assessorias vai transformando jornalistas em bobos das cortes; com pseudos-guizos despendurados em textos adocicados, podendo ao mesmo tempo se transformar em algozes pedidores de cabeças alheias, tal como fez Salomé com João Batista, para calar aquele que se entende como difamante.

Poderemos ignorar esse cenário com ritmos frenéticos de carnaval, cantando a liberdade e deixando raiar a dor ? Com quantos tapinhas nas costas receberemos a paga pelos lombos postos nos troncos da marginalização e estrangulamento social?

Em nome da democracia, assuma sua cota de responsabilidade no cenário do mundo e desperte, enquanto ainda há tempo.

O que precisamos garantir, por ora? Uma imprensa livre!

Eis meu manifesto-compromisso, como cidadã de uma terra na qual a democracia sangra, ao som dos tins-tins das taças cheias.

 

Bastidores da Violência (e dos violentos) em Alagoas: 6 anos

Hoje uma de nossas obras faz aniversário de lançamento. A mais imperfeita delas, e também aquela que concentra o maior grau de verdade: Bastidores da Violência (e dos violentos) em Alagoas, mais que um livro, um grito, e por isso mesmo portador de imperfeições; mas de tão humano, é sem dúvida o que levanta verdades como um jato de indignação.

Louvamos a todo o universo que conspirou pela materialidade desse gancho de salvação da identidade, da subjetividade, em meio ao lodo institucional, relacional e cultural que nos envolvia, no contexto pós-assassinato de um filho. Alagoas é terra cruel.

Na madrugada de hoje eu sonhei com ele, o menino mártir, personagem do livro na condição de vítima. Seu rosto era infantil, e a alegria de revê-lo continua acomodando luzes em meu coração.

Seis anos após seu martírio; quatro anos após o nascimento do livro Bastidores, sei que devemos seguir escrevendo e descascando a dor e a beleza de sermos alagoanos. Em 2017 nascerão mais dois livros escritos por nós, eu e Odilon Rios materializaremos a meta de fazer justiça a Alexystaine pelas vias da história, já que sabemos ser impossível contar com a justiça dos homens, como é conhecido o aparato entre a investigação e o julgamento de crimes.

Odilon Rios trará “Alagoas 200” e pelas minhas mãos nascerá “200 anos de martírio”. Sem dúvida, uma sequência profícua do livro que hoje aniversaria.

Alagoas amadurece a partir das lutas destemidas. Vida longa aos lutadores! Do sangue derramado ao futuro de paz, com gratidão desmedida aos que unem sonhos e acrescentam esperanças a essa história.

Contexto brasileiro: salve a subjetividade

Os elementos trazidos pela atual conjuntura brasileira são deploráveis, do ponto de vista da qualidade política, levando a escrita sobre a contemporaneidade, ao juízo de responsabilidade, em não disseminar apenas a tristeza alcançada pelos anos todos de negligência social, dos quais cada um de nós fez parte.

Precisamos compreender a dinâmica histórica que atua como um cabo de aço, aquela brincadeira que nos empolga a puxar a corda para o lado que nos convém. Alguns o fazem por escolha, outros por indução, convencimento, cooptação… o certo, é que vence o lado mais forte.

Mesmo essa vitória, contudo, é temporária, como todas as vitórias. E quando se trata de história política, ainda não existiu vitória definitiva. Pois a energia está sempre em curso – mesmo quando o curso é desviado.

Assim sendo, e desse modo compreendendo, não podemos nos permitir ser vencidos pelo rolo compressor de agora. Nenhuma máquina de morte, venceu a todos, e enquanto houver resistência, há possibilidade de renovação, e renovando, poderemos mudar.

Tudo se move encadeado, somos isso, coletividade.

Assuma você também sua parte na luta pela manutenção da esperança e não permita que suas utopias rolem ladeira abaixo. Se há um precipício nos chamando, os cumes não silenciaram. Ouça o futuro falando, olhe na direção do que vale a poesia.

Eis a política da sobrevivência em patamares racionais. Quando não conseguir o que gostaria, salve a subjetividade e garanta o recomeço outro dia.

2017 votos de alegrias para a periferia de Maceió/PSDB

O ano fatídico da pós-modernidade se despede, para nós brasileiros em efervescentes resultados de um analfabetismo político prolongado. Podemos dizer que valeu?

Talvez não tenha valido o esforço de convencimento de nós mesmos, sempre um desperdício diante do comodismo instalado em quem ainda espera salvadores para a pátria.

Talvez tenha valido a lágrima, no aprendizado de que política não é para ser terceirizada, precisa ser vivida, assumida, exercitada. A essência recuperada, não importa o contexto.

Fato: não há máscara que não venha cair. Os olhares é que permanecem enceguecidos pelas tantas ilusões que os canais oferecem.

2017 será o ano em que Maceió oficializa a assunção de um casamento entre a periferia e a elite sangue puro do PSDB local.

Não conseguindo entrar no arroubo romântico de alguns intelectuais, e mantendo as barbas que não possuo no molho da observação sobre a base hipotética erguida, que venha Lobão e o PSDB para o cenário da política maceioense, embriagando os entendidos de política sem ter lido livro nenhum na área, afirmando o poder da direita na construção de novos instrumentos de acesso ao usar aquilo mesmo que nasce do povo, para ludibriar esse povo.

Não sei se a felicidade virá até nós, mas certamente festejaremos as novidades aparentes e seja lá o que os homens e mulheres quiseram, porque Deus não entra nessas jogadas, sei disso. Mantenho meu ceticismo analítico.

O que me disse o desatino da liberal boca suja

Desde o fato acontecido, instalou-se o incômodo. Mesmo quando dormi de cansaço, ao acordar relembrei com asco. Uma professora que se diz distinta, me ofereceu a tela do seu celular para provavelmente apreciar o discurso da mulher raivosa que esculhambava aquele político carioca do qual hoje ninguém mais no Brasil gosta: Garotinho. Despejando palavras de baixo calão com expressão de desatino, aquela brasileira verde-amarela passou a dizer impropérios com Cabral, em outra enxurrada de descompensações verbais. O aparelho quase pulou da minha mão quando a dita cuja ameaçou Lula, disse mais uns palavrões e prometeu que sua prisão seria causa de comemoração nacional aos berros, em um anti-orgasmo irrefreado, com cara de louca.

Gentil, devolvi o celular para a professora que me olhava, como esperando a minha reação. Apenas perguntei: quem é essa? Respondeu que “qualquer uma”, pois hoje qualquer pessoa faz um vídeo e fala de política, mas ela achava que aquela falava muito bem! Gostava do que ela dizia.

Perguntei baixinho para o meu anjo de guarda: piada ou provação? Ele ficou em silêncio. O sensor interno disparou e decidi deixar aquele estrume por ali mesmo, sem nenhum tipo de debate. Importante é pensar. Entender o que está levando o povo brasileiro a esse desatino psicológico, de falar de política como se fala da amante do marido ou vice-versa.

Para mim, falar de política é palpitante, mas no campo da racionalidade, onde se considera o contraditório e no contexto complexo, se debate esperanças e probabilidades. Política é ciência; precisa ser estudada, avaliada, analisada. Política é força de transformação histórica, social, cultural, precisa ser praticada, vivenciada. Não poderemos resumir política aos interesses de um golpe classista, e enterrar a poesia que a compõe, sem pagar caro por isso.

A paixão por desqualificar, cumprindo um estatuto ideológico perverso, está permitindo um despejo de ignorância tóxica nas redes sociais.

Quem esculhamba mais, fala melhor? Quem vocifera mais alto, representa melhor? O que há contigo Brasil?

Desmonta logo esse picadeiro que protagonizar esse espetáculo grosseiro não está fazendo bem para as cabeças das pessoas, não. Tem gente se acreditando profeta do apocalipse, em nome de um deus sem virtude, que segrega e abençoa guetos homofóbicos, racistas, machistas, etc.

Política é fascinante, sim! Mas os elementos da mentalidade brasileira foram dispersos nos campos da representação colonial, latifundiária, empresarial, e essa força está sendo conduzida pelas mãos erradas, induzindo milhares ao esquecimento da beleza que é o exercício da cidadania.

Muitos brasileiros estão brigando pelas crenças pessoais sem considerar a coletividade. Alguns estão espumando ao gravar vídeos infames, reforçando a ignorância sobre organizações sociais, funções dos poderes, legalidade e arbitrariedade, entre outros itens de importância a saber. Transformando as redes sociais em canais de esgotos verbais, ao gosto de quem se deixar levar por isso.

Neste infeliz instante, urge que paremos para sinalizar os pontos que são realmente importantes nessa estrada, entre eles os nossos ideais de sociedade para todos, com democracia e cidadania. Assim política se transforma em poesia, e nosso amor transborda em mais vida.

Valorizemos as palavras boas.

 

Fidel e a ilha de sonhos no mar do capitalismo

A morte de Fidel Castro fechará definitivamente as portas de um século de transformação – o século XX?

Amado e odiado, o certo mesmo é que Fidel tem consistência história global, e seus feitos marcaram a  jornada polpitica e social da humanidade, mostrando que nem todas as respostas poderão ser dadas pelo capitalismo.

Vem de Cuba o exemplo de que priorizar a educação de um povo, além de possível, é a alavanca que alça esse povo a viver com qualidade, para além do consumo.

Não faço a condenação nem a apologia, mas expresso o respeito pela história política de Fidel Castro.

Sei também, que muitos daqueles que hoje vomitam ódio contra Cuba, estão passando por esse tempo fluido como um pacote flácido, e serão esborrachados nos trilhos da história, espalhando cinza no ar, pois a carência de conteúdo nem mesmo o status quo resolve.

Ao exemplo de força, coragem, estratégia e persistência, salve Fidel! Uma ilha de sonhos no mar do capitalismo.

Por Alexystaine, jamais ser indiferente

Jamais me tornar indiferente às dores e injustiças, eis o legado que me deixou Alexystaine Laurindo, mártir alagoano, meu filho e professor de Direitos Humanos.

Vestida em sua pele, pude conhecer o peso da truculência policial, vetada para admissão dos próprios erros, mas capaz de cometer crimes contra uma criança para justificá-los.

Sim, eu vi os olhos aquilinos do poder fitando a vítima, que era um menino. Mas por azar, por sorte, por determinação social e cultural, trazia a negritude, não era filho do analfabetismo local; misturava elementos de igualdade e distinção. Precisava morrer para igualar de vez a sorte: aos 16 anos foi martirizado, pois torturado foi desde os 12 anos.

Esquecer? Você só pode fazer isso quando a história não lhe pertence, quando a sua boca não amargou a desdita.Não esqueço! Recuso o esquecimento covarde e conivente em nome de uma paz que você sabe não sentir jamais.

E denuncio a todos os instantes os embustes da Segurança Pública, corporativismo estatal e cumplicidade social, na tortura e morte de jovens alagoanos. Eu abro em leque as frustrações de quem acreditou em um sistema de direitos e só encontrou como resposta os deveres: calar, silenciar, não ameaçar as estruturas postas em benefício de alguns…

Por essa razão, eu que conheço a dor nua e crua, de ter sido vítima da violência institucionalizada, me afino com todos os gritos, lamentos e denúncias de crimes contra a sanidade mental, o equilíbrio emocional e a vida das pessoas, em qualquer parte desse grande mundo.

Sou aquela que sente junto e cala as justificativas ignorantes, classistas, racistas, homofóbicas, fundamentalistas com a altivez de quem carrega na alma um amor que não morre e não mata!

Neste dia de continuidade, reafirmo as mãos postas na mesma luta contra a violência institucional, que em nome dos preconceitos e manipulações de ideologias e crenças, não parou ainda de torturar e matar pessoas.

Salve Alexystaine!

 

Consciência Negra em plena luta

De etnias tantas, compondo o roteiro da genealogia de quem nasce nestas plagas entre a Zona da Mata Norte e Vale do Mundaú, me vejo negra, índia, mestiça; herdeira de uma história entre os barreiros e os juncos, ensopada de sangue, chicoteada em todos os ideais. Alagoana eu sou.

Não posso desligar essa veia que reúne a luta, a dança, o sopro dos Orixás em nossos ouvidos católicos. Sincretismo combatendo o ceticismo. Apreciação inteira da cultura que me gera, nos reproduzindo cantos, rezas e crenças. Negritude que desilude o DNA português sempre recessivo em nossas arcadas dentárias, feitas para morder a dor e gritar as línguas perdidas na diáspora de índios, de negros; Brasil e África mais forte que a invasão branca ocorrida na terra e na alma.

O 20 de novembro fala em cada um de nós. Ouve quem consegue ou deseja entender a importância de sua voz.

As panelas de barro que permitiram a alquimia perfeita trouxeram mais que culinária para encher a boca do branco, elas carregam as memórias do barro, das águas lamacentas que pariram a vida. Vida a ser amada, ampliada e defendida, merecedora de cantos e causa de lamentos tantos. Ser negro é uma conjugação de amores entre os ódios brancos, todos tornados legítimos pelo opressor.

Nesta assertiva, para além da teoria, brota uma diferente forma de poesia, enquanto a vida da gente vai parindo outras lutas, escrevendo a negação da vitória violenta que tenta, (sempre tenta) calar essa voz imortal. Negritude é patrimônio espiritual em nós.

Eis a minha cabeça neste 20 de novembro, antecedendo em dois dias a dor me arrancarem dos braços o negro Alexystaine, aos 16 anos de idade. Filho do meu ventre. Nascido desse mesmo barro, incorporando a injustiça alagoana na carne tenra, virou mártir aos 22 de novembro de 2010, molhando com nosso sangue o chão no qual fincamos essa denúncia tornada esperança.

Neste sincrético caminhar, estendo teu olhar de mártir sobre o texto que ora derramo como um manto. Consciência Negra é taça de dor e amor. Nada nos pode impedir de sentir o gosto de ser o que somos. Um brinde aos dias de justiça e liberdade que virão!

Ideologia de luta que me guia

Recordo que tinha pouco mais de 16 anos quando fiz meu primeiro curso sociopolítico. Foi lá que a encontrei e estudei com paixão e verdadeiro afinco, pelas paisagens que me descortinava na mente embotada pela violência interiorana, entre a qual cresci, com condenações de mulheres, pretos e pobres. Li entendendo o sentido da palavra Ideologia.

Como não sair apaixonada, e aos 17 anos assumir posicionamentos políticos na cidade de vinte mil habitantes, zona canavieira de Alagoas, pagando juros impagáveis por uma vida inteira? Sim, eu me tornei consciente do ser político e entendi que ideologia é também o que gera o “amém” do cristão diante da crucificação do outro.

Fui vendo e sentindo, que aquele ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” tinha mais sentido em política do que nas matas, onde os bichos que assustavam a infância estavam escondidos, com medo do extermínio.

Entender as ciladas sociais ideologicamente montadas é essencial para nos humanizar. Pois existe um sistema de domínio atuando com mão de ferro sobre as nossas mentes, através do alimento ideológico que consumimos. Assim se estruturam famílias, escolas, igrejas, guetos, e tudo o mais. O lastro da mentalidade orientadora é semelhante as colunas que sustentam o peso de grandes estruturas e nem sempre são observadas.

Desse modo, como acreditar em algo que se autodefina “sem ideologia”? Seria como acreditar que as lendas da infância podem ser materializadas e encontrar um lobisomem na esquina.

Não é possível existir socialmente sem ideologia. Por essa razão, os que pregam a morte da ideologia sabem a qual tipo de ideologia estão se referindo, e por não terem a coragem de assumir publicamente que defendem a ortodoxia, o abuso da força, a manipulação dos poderes, a destruição do divergente, do diferente, do espírito de livre manifestação…atuam travestidos de protetores! E o são. Protegem interesses estanques, de grupos territorializados no andar de cima, que tudo fazem para não perder o controle das massas.

Sim, estamos vivendo no “mundo cão”. Não se referindo aos caninos, amorosos e amigos, mas aquela alegoria de chifres e olhos vermelhos de ódio, que tão utilizada já foi para dominar pelo medo, na manipulação religiosa das crenças humanas.

Por trás da decadência que leva um pai a matar seu único filho que aderiu à ideologias de lutas sociais, está aquela ideologia da intolerância fundamentalista, ferindo a vida, destruindo o sonho e semeando sofrimento.

Neste momento de embates ideológicos, sejamos aqueles e aquelas que semeiam mais poesias, aclarando a escuridão discriminatória, com conhecimento e atitudes humanas, respeitando o que precisa ser respeitado e afrontando o que merece ser afrontado, de mãos dadas, cercando e abraçando o mesmo Brasil, com cada vez mais amor.

Essa Ideologia me guia.

Juventude liberal ou inquisitorial?

Com discursos de teor agressivo e pregando uma virtude semelhante aos perfis inquisitoriais, uma juventude que se autodenomina liberal, brota nas redes sociais e invade os espaços de luta democrática, como anti-heróis.

Aplaudindo as mazelas humanas de efeitos dolorosos, utilizadas como instrumentos de poder aos quais parcelas civilizadas repudiam, encontramos em seus discursos a frieza de quem louva a tortura, a intolerância e severo fundamentalismo.

Você parou para olhar o quanto isso está nos fazendo mal? Não falo de mim, nem de você, mas de nós, coletividade!

Se antes dessa onda despudoradamente separatista e asséptica, já lidávamos com as mazelas naturalizadas do capitalismo em suas desiguais expressões na vida social, cultural e econômica, com esse canto sombrio, liberamos os demônios que a idade das trevas gerou e estavam trancafiados em muitos de nós, contidos pelo reconhecimento dos direitos e princípios democráticos.

Não seja neutro ou neutra, trabalhe em si uma adesão às causas da vida, repudiando as oferendas aos status quo, ao senso de elitismo e demais diferenciações.

O relativismo absurdo desnorteia.

Os conceitos cultivados em discriminações suscitam diferenças, entorpecem as buscas por novos entendimentos e cerceiam a verdade, tornando-a única, do ponto de vista do poder, da manipulação, da demonstração de força.

A paz não tem a cara da unicidade. Sendo diversos, somos autênticos, mas o princípio de tudo precisa ser o respeito ao outro; o não destruí-lo.

Efeitos concretos: diminuir as expressões de felicidade das minorias; apregoar os padrões eugenistas com exibições de sucesso; empoderar as piores representações em detrimento dos silêncios e perdas. Ou seja, uma sociedade que ressurge da noite profunda dos egos para fortalecer o domínio do capital em consonância com as tradições que relembram a todo instante a condição de colônia, que é preciso impingir nas subjetividades, retroagindo a identidade brasileira ao princípio, quando a teologia só conferia o direito de ter alma ao homem branco dominador, e sua descendência.

Que estes dias não sejam escritos nas linhas de nossa história, sem o contraponto da resistência.

 

© 2012 - 2014 Repórter Alagoas. Todos os direitos reservados. E-mail: contato@reporteralagoas.com.br Jornalista responsável: Odilon Rios - MTB 840 / AL