30 de agosto de 2015 • 3:00 pm

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Homenagem ao poeta García Lorca, vítima do ódio e da intolerância fascistas

O poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca nasceu em Fuente Vaqueros, no dia 5 de junho de 1898 e foi morto em Granada, no dia 18 de agosto de 1936. Uma das primeiras vítimas do fascismo, na Guerra Civil Espanhola, Lorca, com a eclosão da guerra, foi preso por soldados do ditador fascista Francisco […]

GARCÍA LORCA
O poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca nasceu em Fuente Vaqueros, no dia 5 de junho de 1898 e foi morto em Granada, no dia 18 de agosto de 1936. Uma das primeiras vítimas do fascismo, na Guerra Civil Espanhola, Lorca, com a eclosão da guerra, foi preso por soldados do ditador fascista Francisco Franco e, em 18 de agosto, depois de alguns dias de prisão, soldados o levaram para “visitar” o seu irmão (adotivo), Manuel Fernandez Montesinos, o socialista ex-prefeito de Granada, que fora assassinado e arrastado pelas ruas. Quando chegaram ao cemitério, os soldados obrigaram García Lorca a sair do carro, feriram-no a coronhadas de fuzil e crivaram seu corpo de balas. Seus livros foram queimados em Granada e proibidos na Espanha do ditador fascista. O corpo de Lorca nunca foi encontrado.

Nesses tempos conturbados vividos no Brasil nunca é demais lembrar García Lorca, que, junto a tantos patriotas espanhóis, foi vitima do ódio e da intolerância fascistas contra os republicanos que cerravam fileiras contra a ditadura.

Esta homenagem a Lorca presto, em forma de poesia, com meu poema “Funeral coletivo na guerra espanhola”.

Funeral coletivo na guerra espanhola

Iremar Marinho

Cadáveres de poetas
não servem para heroísmo.
Enterrem logo seus corpos.
Que suas algaravias
não rendam parcos discursos.

Cadáveres de poetas!
Sumam com eles das lápides!
Nem decompondo eles cessam
de comandar as trincheiras
na guerra contra os fascistas.

Cadáveres de poetas
ocupam largos espaços
das terras que se definham.
São feitos para o porvir
(seus ecos roucos retumbam).

Sua atemporal estética
são liames encarnados.
Descarnem logo seus corpos
para que não regorgeiem.
Que não vejam o Paraíso.

– não haverá paraíso
nem amores desfolhados –

Poetas vivos empestam
o ar da Espanha com versos,
corrompem o ar com silepses,
anástrofes, desestrofes,
com redondilhas sinistras.

Candentes hordas de arqueiros
(traças infrarracionais),
com licenças e silêncios
(com licenciosidades)
esperam coser o mundo.

Seus fantasmas insurgentes,
com armadilhas de rimas
(seus ritmares possessos),
são perigosos, conspiram
contra o ódio dos tiranos.

Seus estribilhos retornam,
suas canções todos solam,
seus ditirambos deliram,
por Baco se embriagam,
por musas se desvanecem.

São fortes contra o Tirano
(contra os cães no pedestal).
Só não resistem aos fuzis
dos criminosos fascistas
(a estese de facínoras).

Aterrem logo estes versos!
Poetas não deixem rastros!
Poemas não subsistam
sob a estese dos fuzis
do Tirano-General!

Não dobrem pelos defuntos.
Apressem seu desencanto,
na terra que vai sorvê-los.
Que jazam definitivos
no calcanhar dos tiranos.

Não esperem Federico
García y bandarilleros,
que eles não voltarão.
Luminares de poetas,
seus rastros são luminosos.

– Neste momento dramático
do mundo, o artista deve
chorar e rir com o seu povo.-

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