5 de fevereiro de 2017 • 12:49 pm

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Nós, escritores alagoanos

O bicentenário de Alagoas não pode passar longe das mãos alagoanas. É assim que apresento o livro “200 anos de Alagoas: Análise Socioantropológica”, uma obra de alma popular, com sustentação científica. O lançamento está previsto para o próximo final de semana, sexta-feira, 10 de fevereiro, no Memorial à República, a partir das 18 h. Uma […]

O bicentenário de Alagoas não pode passar longe das mãos alagoanas. É assim que apresento o livro “200 anos de Alagoas: Análise Socioantropológica”, uma obra de alma popular, com sustentação científica.

O lançamento está previsto para o próximo final de semana, sexta-feira, 10 de fevereiro, no Memorial à República, a partir das 18 h. Uma forma de marcar presença servindo partes dessa alagoanidade que tanto embeleza quanto machuca a gente, que assume a identidade de gente.

Ser escritora tem sido construção de uma vida toda, quando fui descobrindo que minhas mãos e os lápis construíam mundinhos ainda infantis, com castelos próprios de uma infância interiorana, rica de imaginação em meio à escassez. Os escritos de agora, são sequências de uma cronologia que a maturidade explica, afinal, os castelos sempre desmoronam quando a vida adulta chega.

Não há forja, há fluidez. Dos poemas da adolescência até as linhas de agora, vi passar o teclado rude da primeira máquina de escrever, com seu barulho maravilhoso na sinfonia eterna do a,s,d,f.g que repeti aos montes em uma escola de datilografia solidária, que funcionava na Rua Comendador Leão, no bairro do Poço, nas vizinhanças do moinho. Eu não pagava nada, apenas tinha que aguentar as incompreensões da minha tia, que sempre pensava o pior de uma jovem de 14 anos que saía de casa pelas sete da noite levando apenas folhas brancas embaixo do braço, e uma vontade ferrenha de contrariar o determinismo que rondava seus passos.

Aprender sempre foi minha saída. Escrever, a mais escancarada delas.

O monstro que matava meus livros era a impossibilidade de publicar. O sonho e o pesadelo se constituíam na mesma negativa. Mas a escritora fluía sem comando, nem controle, espalhando escritos pelos cadernos das amigas e nas gavetas alheias…exercício.

Metade do círculo de amizades usufruía das palavras que espalhava; tornei-me leitora aos seis anos de idade, como um milagre que nem a escola entendia. Aos nove anos já havia lido toda a coleção de Machado de Assis que minha mãe comprara na porta, e pagou a prestações. José de Alencar arranquei da estante da casa dos avós maternos e uma tia me alimentou no tempo certo com os livros de Ganimédes José. Por certo li muito, o que era bom e também coisas esquisitas, fortes demais para o contexto, as misérias humanas de Adelaide Carraro, por exemplo. Me fiz assim. No meio do improvável.

Escritora independente!

Carrego a legitimidade de escrever sobre Alagoas, e hoje, compartilho o resultado com um público modesto, mas conhecedor do que falo, interessado em novos ângulos, aberto a uma proposta simples, de raiz profunda.

Ao lado de Odilon Rios, que já nasceu escritor e erudita, escrever se tornou alimento, vestimenta, energia de vida. Co-autores do livro “Bastidores da Violência (e dos violentos) em Alagoas”, agora lançaremos juntos, em paralelo, livros próprios. Seu livro-reportagem “Alagoas, 200” traz um pequeno resumo do que pensam grandes intelectuais locais, sobre a história dessa terra, que completa século novo de autonomia política.  Vale a pena participar desse evento alagoano de raiz, sendo de algum modo, parte da história que se escreve. Marque esse encontro conosco!

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