18 de março de 2017 • 1:23 pm

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Oportunidades, disciplina e perseverança: jovens doutores do Ifal Maceió falam da carreira acadêmica

“Oportunidades que vão surgindo e que não se pode desperdiçar”, “uma enorme identificação com a docência e os alunos” ,“a necessidade de descobrir o porquê das coisas” e “muitas xícaras de café”: Não existem “fórmulas prontas” para definir como buscar e acumular muito conhecimento e tornar-se um doutor em tão pouco tempo. Mas citações como […]

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Alex Emanuel Costa

“Oportunidades que vão surgindo e que não se pode desperdiçar”, “uma enorme identificação com a docência e os alunos” ,“a necessidade de descobrir o porquê das coisas” e “muitas xícaras de café”: Não existem “fórmulas prontas” para definir como buscar e acumular muito conhecimento e tornar-se um doutor em tão pouco tempo. Mas citações como estas mostram alguns dos fatores que motivaram jovens a, em poucos anos, qualificar-se em cursos de pós-graduação de forma ininterrupta (quase que imediatamente após a conclusão do curso superior), aliar pesquisa e docência e compartilhar o conhecimento: são os professores doutores mais jovens do Instituto Federal de Alagoas. Eles têm menos de 35 anos, tem dado novo fôlego ao ensino, pesquisa e extensão do Instituto e contribuem com o cenário educacional, científico e tecnológico dentro e fora do Estado de Alagoas.

Lotados no Campus Maceió do Instituto Federal de Alagoas, Jesu Costa e Alex Emanuel Costa, ambos nascidos em março de 1987, são os doutores mais jovens do campus da capital. Jesu Costa concluiu o curso de bacharelado em Química em 2008, ingressou no Ifal em 2011 como professor efetivo e concluiu o doutorado em 2015. Jesu é doutor em Química Industrial, e despertou o interesse pela docência ainda na graduação: ingressou no curso de licenciatura em Química da Universidade Federal de Alagoas – Ufal, porém, dois anos depois, mudou de habilitação e passou a cursar o bacharelado, aproveitando várias disciplinas da grade curricular que já tinham sido estudadas anteriormente.

Jesu relata que, com o curso de bacharelado, passou a ter mais “contato” com a Química por meio de atividades práticas, projetos de iniciação científica – PIBIC e pesquisa acadêmica, e começou a ministrar aulas particulares para alunos no ensino médio. Desde então, a paixão pela Química, pela pesquisa e pela docência somente cresceu. “Quanto mais você se aprofunda nos estudos, há uma identificação maior com os conhecimentos obtidos, com a docência e os alunos. E também é preciso perceber o momento e não deixar as oportunidades para depois”, relata o professor, referindo-se a editais de pós-graduação abertos e projetos que impulsionaram a carreira e os cursos de mestrado e doutorado.

Ao ingressar no Ifal, Jesu avalia que a motivação pela docência cresceu, devido ao perfil e ao interesse dos alunos do Instituto. “O aluno do Instituto Federal tem um perfil diferenciado. Passa por um processo seletivo criterioso para ingressar na escola. Uma escola pública federal como o Instituto tem um outro contexto, com alunos mais interessados e que valorizam o professor como um referencial”, destaca o jovem doutor, professor de turmas do nível médio-técnico e superior do Campus Maceió.

TRAÇAR METAS E “CORRER ATRÁS”

Disciplina, perseverança e “muitas xícaras de café” levaram Alex Emanuel Costa a tornar-se doutor em Física aos 29 anos. O docente também ingressou no Ifal no ano de 2011, passando pelos campi Penedo, Murici e Marechal Deodoro, até chegar ao campus da capital. Alex é teórico computacional: aliou Matemática, Física e Informática em seus estudos e pesquisas na área de Ótica (fenômenos de transmissão da luz), foi professor das turmas dos cursos técnicos de Eletrônica, Estradas, Mecânica e Informática e agora faz parte do corpo docente de Engenharia Civil, novo curso superior ofertado pelo Ifal Maceió. “Apesar de eu não saber o que era exatamente ser um doutor, eu desejava desde o ensino médio concluir o meu doutorado antes dos 30 anos”, revela Alex, destacando a importância da continuidade nos estudos e de “traçar metas e correr atrás”.

Alex relata que um dos principais desafios no início de sua jornada acadêmica foi a compreensão de livros técnicos em língua inglesa, algo que depois se tornou habitual. “Somos forçados a aprender o idioma porque a maior parte dos artigos e livros técnicos da área de Física são em inglês. Então a partir do segundo ano de graduação é preciso estudar não só com os livros abertos, mas com um dicionário ao lado para aprender a tradução. Mas, com o tempo, você se acostuma aos termos técnicos”, conta o professor.

OS “PORQUÊS” E A CIÊNCIA

Nascido em julho de 1986 e graduado pelo Instituto de Física da Ufal em 2009, o professor Frederico Salgueiro Passos também integra o “time” de jovens doutores do Ifal. Recém-ingresso ao Campus Maceió, Frederico foi docente do Campus Marechal Deodoro e trabalha com física estatística. O professor, que também iniciou sua carreira docente em 2011 no Ifal, revela que o propulsor de sua carreira acadêmica foi o foco do curso de bacharelado, voltado para a formação de pesquisadores. “Sempre me senti motivado a descobrir o “porquê” das coisas, e fazer pesquisa para investigar todas essas perguntas é muito instigante. Na docência eu iniciei trabalhando no Ifal e foi muito prazeroso desde então, tentar trazer o mundo científico para os alunos do ensino integrado, mostrando que a ciência pode nos dar muitas respostas sobre o nosso papel no mundo”.

“A busca dos porquês” foi a maior motivação do pesquisador para ampliar sua formação. “Sempre gostei de estudar e descobrir novas coisas, fazer um doutorado é exatamente isso, descobrir algo novo”, declara. E para os alunos que desejam seguir os passos de seus jovens docentes doutores, o professor dá a dica:  “O melhor conselho é amar o que faz, ser curioso e nunca parar de se encantar com o conhecimento”.

FORMANDO FÍSICOS

Os professores Alex Emanuel Costa e Frederico Salgueiro Passos, ao lado de mais três doutores, integram a Comissão de instituição do curso superior de Licenciatura em Física no Ifal Campus Maceió. O projeto já está em fase de revisão e já tem a matriz curricular e o corpo docente definidos, e será, posteriormente, encaminhado ao Conselho Superior do Instituto para avaliação. Se for aprovado, o Ifal passa a ofertar o curso em 2018. “O professor doutor tem muito a contribuir, geralmente tem a visão de verticalizar o ensino e sabe incentivar os alunos, fazendo-os explorar o seu próprio potencial”, declara o professor Alex, destacando que, se o novo curso for aprovado, já começará com um corpo docente “forte” composto de professores doutores.

OPORTUNIDADES E A REDE DE CONHECIMENTOS

“Oportunidades a gente não deve desperdiçar. Quem faz o mestrado, faz o doutorado, e você tem que acreditar no melhor, para que o melhor aconteça. E entender que não há ganhos sem sacrifícios”. Com esta declaração, o professor Antonio Albuquerque de Souza, nascido em 1983, define um pouco a sua jornada pela qualificação após o curso superior. Antonio ingressou no Ifal Campus Maceió em 2011, aos 28 anos, mesmo ano em que concluiu seu doutorado em Eletroquímica Orgânica pelo Instituto de Química e Biotecnologia – IQB, da Ufal. Foi o primeiro colocado no concurso público para docente do Ifal, obtendo a maior nota na prova de conhecimentos e na prova didática do certame.

Passou por experiências de monitoria e docência em escolas públicas do Estado, até integrar o time dos doutores do Instituto Federal. O docente relata que a postura dos estudantes do Ifal em relação aos professores o motivou a se aperfeiçoar na atividade diária de lecionar e “aguçou” sua percepção de comportamento dos alunos. “Quando passamos por outras escolas, conseguimos perceber que os alunos do Instituto Federal tem outro perfil, querem a instituição pelo que ela representa, têm um interesse diferenciado. O aluno é o maior tesouro que nós temos. E nós, enquanto professores, somos observados o tempo inteiro, temos um papel muito importante não só de formação, mas de influência para o aluno. Nossa missão é catalisar o que há de melhor em cada indivíduo”, declara o doutor em Química.

Antonio também destaca que vivências prática e a interação com outras áreas do conhecimento, mesmo que não sejam das ciências exatas, são de fundamental importância para a formação de um bom doutor. “A formação contínua até o doutorado e as experiências acumuladas nos fazem enxergar outras áreas do conhecimento que se relacionam e ampliam a visão de mundo, nossa e dos alunos. Conseguimos perceber e explicar assuntos diversos não de forma catedrática, mas de uma forma que influencie positivamente os alunos, que acrescente algo além em sua formação, que os dê condições de discutir, de ter senso crítico. O conhecimento acadêmico entrelaçado a outras culturas, condutas e realidades enriquecem o ser humano. Como pessoa e como profissional”, complementa Antonio, incentivando os estudantes a sempre atuarem na busca pelo conhecimento.

Fonte: Ifal

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