20 de março de 2017 • 5:04 pm

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Pinheiro: PSOL tem que mostrar que é diferente na política de AL

Aposta do PSOL na disputa ao Senado, Othoniel Pinheiro ganhou fama ano passado, nas discussões levadas adiante pela Assembleia Legislativa durante a implantação do Escola Livre. Professor universitário, doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Othoniel diz que Alagoas só conseguirá melhorar seus índices sociais quando encerrarem as ligações com os atuais […]

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Aposta do PSOL na disputa ao Senado, Othoniel Pinheiro ganhou fama ano passado, nas discussões levadas adiante pela Assembleia Legislativa durante a implantação do Escola Livre.

Professor universitário, doutor em Direito Constitucional pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Othoniel diz que Alagoas só conseguirá melhorar seus índices sociais quando encerrarem as ligações com os atuais setores políticos no Estado.

“Não adianta o PSOL dizer que é diferente; ele tem que mostrar que é diferente”.

Veja entrevista:

Por que reeditar a campanha 2016 na capital, com o PSOL enfrentando nomes de peso político e apoio financeiro?
Alagoas não consegue sair dos últimos lugares em índices sociais e econômicos do Brasil com essas lideranças políticas.

Nesse contexto, a proposta de construção do PSOL tem por objetivo estudar os problemas e apontar caminhos para o nosso desenvolvimento, bem como convencer a classe econômica, os funcionários públicos, os comerciantes e as minorias sociais de que o modelo de política que há décadas impera em Alagoas já se esgotou.

É preciso mudar muita coisa.

Esses grupos políticos que há anos se revezam no poder, uma hora estando juntos e, em outro momento, separados, não conseguiu o desenvolvimento que os alagoanos esperam e são justamente esses nomes de peso político e apoio financeiro que fazem parte desses grupos que querem novamente polarizar as eleições de 2018.

Por isso, o PSOL quer apresentar aos alagoanos uma alternativa verdadeira e autêntica e que, especialmente, não possua ligações com esses setores políticos.

Isso não quer dizer radicalismo, mas, apenas, que nós entendemos que esse modo de fazer política que é historicamente intrínseco a esses setores prejudica a todos os alagoanos.

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“Esses grupos políticos que há anos se revezam no poder, uma hora estando juntos e, em outro momento, separados, não conseguiu o desenvolvimento que os alagoanos esperam e são justamente esses nomes de peso político e apoio financeiro que fazem parte desses grupos que querem novamente polarizar as eleições de 2018”

Setores do PSOL defendem abertamente Lula. Defendem que Dilma foi vítima de um golpe (diferente do Rede e PSTU) e legitimam Lula na disputa do próximo ano. Significa que o PSOL fechou com o ex-presidente?
A luta é contra as pautas implementadas pelo Governo Temer, como a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista, a terceirização e a PEC dos gastos.

Nós percebemos que, desde o começo do movimento “fora Dilma”, tudo foi orquestrado para a viabilização dessas medidas contra o povo brasileiro.

Por isso, essa luta contra o impeachment e, por tabela, a defesa da permanência do Governo Dilma Rousseff. Entendemos também que seu afastamento foi completamente feito ao arrepio da Constituição.

Quanto ao Lula, creio que a posição oficial do partido em nível nacional será o de não apoiá-lo. Porém, é questão que ainda será debatida internamente.

O que o PT alagoano precisa mostrar ao PSOL para se fechar uma aliança em 2018?
O PT de Alagoas não precisa mostrar nada para o PSOL.

Eu não tenho dúvidas de que o PT de Alagoas tem a melhor história partidária do Estado.

Quanto às alianças para 2018, sou da posição favorável que o PSOL marche junto com o PT.

Todavia, não vamos fazer alianças com partidos da mesmice e dos velhos caciques alagoanos, como o PMDB, o PSDB, o DEM, entre outros.

No sistema republicano, não dá para implementar novas pautas e não dá para por fim as negociatas eleitoreiras quando as velhas estruturas de poder ainda estão por trás de supostos nomes novos nas eleições.

Othoniel

“As pessoas vendem seus votos e desprezam o valor de uma boa escolha porque não acreditam mais no sistema político como um caminho para o bem comum”

Historicamente, as esquerdas alagoanas têm dificuldades para uma união no mesmo palanque. As razões alegadas são ideológicas. Daí os partidos mais tradicionais acabam tendo maior vantagem na disputa, polarizando nomes. PCB, PSTU, PSOL e Rede mostram estar em caminhos diferentes, mais uma vez, para as próximas eleições. Fale sobre isso.
Tudo se resolve com diálogo.

Há muitos militantes históricos da esquerda alagoana decepcionados com alguns rumos tomados em Alagoas.

Há jovens acreditando que a esquerda é uma espécie de bicho-papão da democracia.

Até mesmo os próprios partidos de esquerda não conseguem dialogar entre si.

Tudo isso tem uma explicação clara: a falta de canais de diálogo permanente.

Temos que quebrar os muros.

O PSOL irá entrar em contato com esses setores para construir pontes de diálogos, por meio de conversas informais, de reuniões, de palestras e de grupos de trabalho.

O que o PSOL de Alagoas sabe a respeito do eleitor alagoano?
Sabemos que há uma insatisfação generalizada com a política, especialmente, em Alagoas.

As pessoas vendem seus votos e desprezam o valor de uma boa escolha porque não acreditam mais no sistema político como um caminho para o bem comum.

É triste dizer isso, mas, muitas pessoas enxergam a política como forma de enriquecer.

Definitivamente, a política não serve para esses objetivos ilícitos.

Porém, reconhecemos que não é fácil combater essa cultura, mas isso pode ser enfrentado por meio de projetos de médio e longo prazo. Enfim, o eleitor alagoano é o eleitor desacreditado.

E o trabalho de convencimento não se faz com discursos e equipes de marketing, mas, sim, com atitudes concretas para que as pessoas acreditem que tem alguma coisa nova ali.

Não adianta o PSOL dizer que é diferente; ele tem que mostrar que é diferente, que possui propostas concretas e viáveis para o funcionalismo público, para a indústria, para o comércio, para os trabalhadores, para os usuários dos serviços públicos e minorias sociais.

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