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Caos social alagoano

O termômetro do cotidiano pode ser chamado “rua”, com os sons e os riscos que hoje lhe caracterizam.

Os que jamais descem dos carros e dos pedestais, compreenderão cada vez menos a dinâmica da sociedade, pelo lado de cá, onde os indivíduos são de carne e osso e choram lágrimas de sal.

Maceió se alarga em contrações e sofrimentos, a cada dia. As ruas manifestam cada parto. Cada nova miséria. Todas as desesperanças de um povo que mal consegue tornar-se adulto.

A oralidade dispersa das calçadas. O senho franzido da descrença. Mulheres e homens a vagar, numa solidão cheia de rostos, todos indiferentes e voltados para as bandas do nada.

Quem se crê possuidor, não enxerga as ruas.

A riqueza de quem não tem dinheiro pode ser simbólica. Até a cultura nos separa.

Bajuladores e hipócritas lotam as salas cobertas de carpetes. O ar-condicionado protege as autoridades do ar livre e poluído das ruas enfeitadas de esgotos a céu aberto.

O Riacho Salgadinho lambe ao longe o prédio do Ministério Público do Estado de Alagoas, sede do direitos públicos, cravado no chão quente de Maceió.

O abandonado bairro de Jaraguá silencia diante da Prefeitura Municipal de Maceió, sua solidão saudosista, dos tempos de uma boemia que nada mais justifica.

A bela orla lagunar joga ao vento os ares pútridos das fossas que desaguam em suas entranhas geradoras de peixes e sururus. À sua volta, pululam o tráfico, o sexo, o crime. Cenário esquecido. Útero ativo, gerando sonhos perdidos.

Nas fortes ondas da praia de Cruz das Almas, a crucificação da nossa urbana covardia: esgotos, corpos em oferta diária, sob a vistoria dos coqueirais, tornados cúmplices das agruras noturnas de suas damas e travestis.

Crianças empobrecidas. Mentalidades contaminadas. Representações vendidas. Estado pífio, corrupto. Elementos desenhados nas calçadas…

Jovens viciados. Dificuldades de locomoção, ônibus velhos e passagens caras. Sem saúde ou alimento. Sem escolas suficientes, sem educação. Elementos dispersos na poeira das ruas…

Quantos livros são necessários para nos fazer entender as políticas do caos social alagoano?

182 juízes brasileiros estão ameaçados por quadrilhas

182 juízes brasileiros estão ameaçados por quadrilhas
Zero Hora Sem aparições públicas. Vida restrita ao convívio familiar. Com deslocamento vigiado. Privados do direito básico de ir e vir. Essa é a rotina de quase 200 magistrados brasileiros, acossados pelo crime organizado. Em alguns casos, por quadrilhas integradas por policiais e outros servidores públicos. Em outros, por facções gestadas dentro do sistema penitenciário, como o paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Em Porto Alegre,... 

Senado aprova criminalização da invasão de computadores

Estadão O Senado aprovou nesta quarta-feira, em votação simbólica, o substitutivo do relator Eduardo Braga (PMDB-AM) ao projeto de lei que tipifica os crimes online. A proposta altera o Código Penal, introduzindo crimes como o de invasão da rede de computadores ou de equipamentos, como ocorre com a clonagem de cartões de crédito em postos de gasolina e outros estabelecimentos comerciais. As penas variam de 3 meses a 3 anos de detenção, mais... 

Estudo sugere que mulheres estressam mais com más notícias

Estudo sugere que mulheres estressam mais com más notícias
BBC Uma pesquisa realizada no Canadá sugere que más notícias, por exemplo as que detalham assassinatos, afetam mais as mulheres do que os homens. As mulheres pesquisadas produziram mais hormônios relativos ao estresse ao serem expostas a notícias negativas. Esses efeitos não foram observados nos homens. O estudo, feito com 60 pessoas, foi publicado no periódico especializado PLoS One. Os pesquisadores da Universidade de Montréal juntaram recortes... 

Justiça nega pedido de habeas corpus para canibal de Garanhuns

Diário de Pernambuco Um dos crimes mais brutais já registrados em Pernambuco, mais especificamente em Garanhuns, no Agreste, voltou a ser comentado na última semana após o advogado de defesa de uma das integrantes do trio de canibais ter entrado com o pedido de habeas corpus para obter a soltura de sua cliente. O advogado Paulo Henrique Melo solicitou a liberação de Isabel Cristina, 51, para a Justiça na terça-feira (04), no entanto, a juíza... 

Durante fetiche sexual, estudante é morta acidentalmente pelo namorado

Estado de Minas Uma jovem de 21 anos foi localizada nua e morta dentro do apartamento do namorado em Linhares, região norte do Espírito Santo. Segundo informações da Polícia Civil, nessa segunda-feira, Arielle Martins foi encontrada com um tiro na boca pelo pai de Marcos Rogério Junior, que acionou a polícia. De acordo com o delegado Fabrício Lucindo, o pai, que é um agente da Polícia Rodoviária Federal, havia omitido informações no local... 

Romance pela internet acaba em assassinato em Porto Alegre

Terra Um taxista é suspeito de ter matado a ex-companheira, a funcionária pública municipal Janice Maria Laux, 51 anos, com quatro tiros de revólver. Segundo a polícia, o casal se conhecera pela internet há pouco mais de um ano. A vítima foi encontrada morta em um apartamento no bairro Floresta, por volta das 19h de quinta-feira. O homem morava no Espírito Santo e teria vindo algumas vezes a Porto Alegre, até passar a residir na capital gaúcha,... 

Alagoas dá licença para torturar e matar

As referências do passado estão gastas, Alagoas não atualiza seus ícones!

Quem representa o clamor popular, hoje?

As elites edificaram suas estruturas de defesa. Intitucionalizaram a condução do senso comum perverso que legitima a destruição material e simbólica dos que incomodam. Basta chamarem-nos de bandidos, drogaditos, que obtém a licença para torturar e matar!

Na contramão da política de ascensão dos direitos coletivos; no retrocesso do pensamento, que conflui para a renovação contínua de mentalidades evoluídas, Alagoas vive o jugo do arcaísmo arrogante, desde a colonização, governando sob a batuta da violência.

Insisto: não são os pobres, os violentos. Alagoas espalha violência de cima para baixo, pois dessa forma, apenas os que estão nas camadas inferiores são punidos.

Punidos desde o nascimento, ao herdarem todas as ausências de direitos e perspectivas. Postos à margem. Marginais.
Candidatos ao crime e ao extermínio, com raras chances de sairem ilesos dessa fatalidade.

Quem denuncia essa violência brutal?

Quem anuncia os tempos da libertação política?

Alagoas vive profundo silêncio.

Silêncio de pesar? Silenciamento? Seja como for, de tanto não ouvir, as comunidades ensurdeceram para seus próprios clamores.

Não devemos mais tolerar os que permanecem na coluna do meio, negociando mediações.

Os governantes compactuam com a violência criando bordões imundos na autorização do crime, quando estigmatizam vítimas.

O conceito de bandido em Alagoas, está caótico, difuso. Só tem servido para pobres.

Será que nossos algozes, sejam togados, fardados ou vestidos de ternos caros, conseguiram modificar até as questões semânticas, em benefício de seus interesses de mando e desmando?

Alagoas entre as dores do parto e da partida, já não clama, porque está perdida em lamentos longos, cortando a noite das periferias e as manhãs de poucas certezas.

Blog: Com discurso coercitivo, governador defende acusado de tortura

Ao ouvir as declarações do chefe o Ministério Público Estadual sobre o delegado acusado de torturar um detido, fiquei chocada. Mas quando ouvi, em seguida, a postura do chefe do executivo, o governador Teotonio Vilela, não tive palavras para expressar a indignação sentida, diante da coerção explícita.

Se amizades e afinidades entre indivíduos podem servir de base, para absolutamente todas as situações em Alagoas, a Justiça não carrega apenas o princípio da inércia, mas a total inutilidade!

Por mais grave que seja um cometimento, a própria Lei determina a sequência das punições de um réu. Certamente, não está escrito maltratos físicos, seja de qualquer proporção.

Em caso distinto do apresentado pelo Ministério Público Federal, eu mesma conheço a malevolência instituída nos órgãos públicos alagoanos, com vistas à defesa de agentes de segurança pública, com extensas práticas de torturas no submundo do silêncio omisso.

Denunciar um delegado em Alagoas virou um crime, pois que qualquer denunciante encontra diante de si a estrutura governamental afiada na defesa, com o suporte do senso comum que a tudo digere sem selecionar.

Não haveria necessidade de tal exposição, por parte do governador de Alagoas sobre um tema de total pertencimento à Justiça, se sua consciência de homem público o levasse a perceber as mazelas sociais que estão na sua alçada, solucionar. Destas, o governador parece esquecer. Como por exemplo, nosso Hospital Geral , transfomado em um reduto de dores; maternidades sem condições de receber dignamente os nascituros alagoanos; delegacias rachando ao meio e superlotadas, sem estrutura, entre tantas outras situações.

O discurso coercitivo do MP e do governador já antecipou o resultado da demanda. Assim como, no caso de denúncia que eu mesma fiz, recorrendo inclusive ao Ministério Público Estadual em busca de apoio ao pleito de cunho cidadão e societário, o silêncio definiu quem sairia perdendo e quem permaneceria ganhando.

Como perdedora material da questão, ganhei a consciência imorredoura de que cidadania em Alagoas ainda exige martírio, perseguição e morte, para continuar sendo abordada com seriedade.

Reafirmando a certeza de que a violência que assola nosso Estado nasce na parte alta dos poderes, escorrendo sobre nós como uma cascata de opressão social e miserabilidade moral dos dirigentes.

Para mim Alagoas é uma interjeição, disse Sávio Almeida

Em Audiência Pública, a Câmara de Vereadores de Maceió abriu um leque de reflexões e debate, sobre a prática de extermínio juvenil, na cidade que outrora sorria, e hoje chora, as mazelas trazidas pela violência.

Violência, que é consequência.

Para Sávio Almeida, “se nós temos essa pecha de ser os mais violentos, precisamos saber onde o crime está.”

A pergunta feita pela Comissão Especial de Inquérito estava posta: Por que os jovens morrem em Maceió?

Almeida diz: “Não é possível dá uma resposta à pergunta formulada. mas o importante é que a pergunta existe.”

Demais, falar sobre violência não é tão objetivo quanto as propagandas do governo de Alagoas nos faz pensar. Pois que não se alcança tudo no entendimento policialesco. Embora a polícia figure como elemento importante na repressão e combate à criminalidade.

Porém, Almeida nos diz que “os dados parecem demonstrar que existem duas polícias em Alagoas; uma em Maceió e outra no interior do estado. As duas parecem não conversar muito.”

Quantos jovens têm sido vítimas da ação policial armada? Ninguém consegue precisar. Além das inúmeras justificativas para a ação policial acontecer banhada em sangue, a própria sociedade, equivocada em seu clamor, compreende a mortandade de jovens como uma “assepsia social”.

Sávio Almeida reitera: “Juventude precisa de formação, renda, saúde, condições mínimas para existir.”

Eu mesma afirmo que nossos jovens nascem e morrem sem essas condições, haja vista, os índícadores sociais vigentes em Alagoas. Ou seja, já aportam nesta terra herdeiros da condenação, originária da classe social dos pais.

“O Estado abastardou a sociedade civil”, em concordância com Almeida, acrescento que a versão neoliberal a conspurca! A visibilidade da sociedade civil está cada vez mais embaçada, longínqua, saudosista!

Sua crítica se faz cômica: “Para mim Alagoas é uma interjeição: oxe! Um lugar onde toda mentira tem a possibilidade de ser verdade! As pessoas deixaram de pensar para acreditar em truques”.

“É uma coisa esdrúxula o que foi feito com o estado de Alagoas!”

“O povo comete crime, mas nós damos as armas”!

A vala social incontrolável que nos separa, gera os efeitos dissonantes com os quais somos obrigados a conviver. A riqueza do corrupto impressiona o eleitor, sua vítima. A força de morte do agressor, o faz herói, revestido em largo manto de impunidade. Nunca mata, paga para outros matarem.

Atravessa a política partidária e seus manuseadores. Decidindo vida e morte, pobreza e riqueza…

Completa Sávio Almeida: ” Luxúria e miséria; do luxo para a luxúria”!

Todos os solucionadores de violência que importamos vão falir em seu propósito. Pois se exterminarem 500 jovens em delinquência ou não, 5000 novos bebês miseráveis estarão em rota de substituição, em curto espaço de tempo.

A luta por uma sociedade de paz deve focar Políticas de Paz: satisfazendo as necessidades reais dos indivíduos, naquilo que se compreende como condições dignas de sobrevivência.

Exibir fuzis e negar educação, jamais fará de Alagoas um estado pacífico, e os jovens de Maceió continuarão no abatedouro social, tudo mais será marola, diante da onda de injustiça que nos assola.

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