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Deputado Paulão destina recursos para cultura popular nos bairros de Maceió

folclore

Com intuito de ocupar culturalmente praças públicas e centros comunitários distribuídos pelas oito regiões administrativas de Maceió, o projeto ‘Ocupe a Praça’ abre inscrições para o processo seletivo de contratação de grupos e agentes culturais. Ao todo são 42 vagas para bandas, grupos de folguedo, corais, artistas plásticos, grupos de teatro, artistas circenses, grupos de dança, agentes culturais e oficineiros, entre outros.

As inscrições vão até o dia 19 de fevereiro e devem ser feitas na sede da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), no horário de 8h às 14h. A FMAC fica localizada na Avenida da Paz, 900, bairro de Jaraguá. Durante oito meses, o projeto vai movimentar oito praças de oito diferentes regiões (uma por vez) de Maceió com oficinas de formação, shows e apresentações artísticas. As praças e regiões contempladas e suas respectivas datas são:

– 13/03 Praça Marcílio Dias, Jaraguá;

– 10/04 Praça de Santa Tereza, Ponta Grossa;

– 08/05 Praça do Centenário, Farol;

– 05/06 Quadra Escola Geraldo Bulhões, Bom Parto;

– 24/07 Praça Mirante Vereador Audival Amélio da Silva, Jacintinho;

– 28/08 Praça Padre Cícero, Benedito Bentes;

– 18/09 Praça Osman Loureiro, Clima Bom;

– 25/09 Praça José Emílio de Carvalho, Riacho Doce.

Cada uma dessas localidades vai receber apresentações dos mais variados segmentos culturais – música, cinema, teatro, dança, entre outros – e atividades de formação com
temáticas selecionadas também a partir de consulta nas comunidades de todas as regiões.

Com uma dinâmica participativa e colaborativa, o ‘Ocupe a Praça’ coloca grupos e agentes culturais dos bairros-sede em papeis fundamentais do projeto, onde atuarão no planejamento de ações, produção e curadoria. Para isso, cada etapa do projeto será executada com pelo menos um agente comunitário ou cultural como membro integrante da equipe de produção.

O ‘Ocupe a Praça’ é uma realização da Fundação Municipal de Ação Cultural em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural e integra o Programa Ações Culturais para Maceió, fruto do convênio nº 798826/2013, assinado entre FMAC e MinC, graças a emenda parlamentar do deputado federal Paulão (PT). Com idealização e produção do Coletivo Popfuzz.

Para mais informações, acesse aqui, a Chamada Pública completa, disponível no Diário Oficial do Município (DOM), nas páginas 16 e 17:

http://www.maceio.al.gov.br/wp-content/uploads/teresasecom/pdf/2016/01/Diario_Oficial_14_01_16_PDF.pdf

Urbanista demonstra que Maceió gasta muito mais com carros do que com transporte coletivo

Fonte: Daniel Moura

A alocação de recursos em trasporte na cidade de Maceió, como nas outras cidades brasileiras, é completamente irracional. Para se ter uma ideia, os maceioenses proprietários de automóveis gastam, por ano, várias vezes mais do que é pago em passagens pelos maceioenses que se locomovem usando o transporte público. Se parte do dinheiro gasto com os carros particulares fosse canalizada progressivamente para o trasporte coletivo, a cidade se livraria dos congestionamentos, da injustiça no financiamento do sistema de mobilidade e dos acidentes de trânsito. Além disso, parte dos recursos economizados com automóveis poderia ser usada na dinamização do comércio, dos serviços e da indústria locais.

Nas palavras do arquiteto e urbanista Daniel Moura:

“Em Maceió, o transporte coletivo custa, atualmente, na catraca, cerca de R$ 250 milhões por ano. O orçamento de Maceió aprovado para 2016 foi de R$ 2,5 bilhões. Os mais de 200 mil carros registrados em Maceió gastam, ao todo, cerca de R$ 2,5 bilhões por ano, para travarem a cidade parados em congestionamentos. Quer fazer a cidade andar? Transfira o que os motoristas gastam com seus carros para o transporte coletivo. Teremos um transporte coletivo de fazer inveja a qualquer cidade europeia. Enquanto o transporte coletivo continuar sendo custeado apenas por quem o utiliza, não espere nenhuma melhoria.”

Na imagem abaixo, o urbanista explica o cálculo feito para se chegar ao custo total anual dos maceioenses com automóveis particulares. Acrescentamos que ainda seria necessário agregar os chamados custos de oportunidade gerados pelos engarrafamentos e as verbas gastas com as consequências dos acidentes de trânsito.

Segundo Daniel Moura: “Esse outro quadro mostra que o atual serviço de transporte coletivo de Maceió custa, àqueles que pagam por seu funcionamento, pouco mais de 10% do que os motoristas gastam para circular com seus carros. Ou seja, temos dinheiro suficiente para ter um transporte 10 vezes melhor do que é hoje”.

Fonte: Daniel Moura

Na Europa, segundo dados de 2014 apresentados pela Comissão Europeia, 19% das pessoas se deslocam usando o transporte público (14% se locomovem a pé e 54%, em automóveis particulares). A maior parte das grandes cidades daquele continente subsidia em 50% o gasto dos cidadãos com passagens. Nos EUA, pátria do neoliberalismo, as prefeituras subsidiam a tarifa em 60 ou 70% (30% dos habitantes de Nova York são usuários de trasporte coletivo; no país, a média é de apenas 5%). No Brasil, as passagens são pagas integralmente pelos usuários. Ou seja, os brasileiros e os maceioenses estão submetidos a princípios absolutamente selvagens e anacrônicos de financiamento do transporte urbano.

 

 

Liga dos Blocos confirma prévias sem apoio da Prefeitura

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Nosso blog recebeu a NOTA PÚBLICA abaixo divulgada pela Liga dos Promotores de Eventos Pré-Carnavalescos em que confirma a realização do tradicional desfile dos blocos no histórico bairro de Jaraguá, mesmo sem apoio da Prefeitura de Maceió.

NOTA PÚBLICA

A Liga dos Promotores de Eventos Pré Carnavalescos, diante da postura do prefeito Rui Palmeira em anunciar a decisão de não apoiar as tradicionais prévias carnavalescas faltando apenas 25 dias para os eventos, vem publicamente anunciar que, graças a sensibilidade do governo Renan Filho, outras forças políticas, empresários e outros patrocinadores, além de colaboradores voluntários, em observância ao respeito ao publico alagoano, foliões e população em geral, conseguiu viabilizar a realização dos desfiles dos blocos bem como do evento Jaraguá Folia.
Ao tempo em que agradece a sensibilidade de todos os envolvidos que irão contribuir para a efetivação desses eventos, informa ainda que a estrutura de todos os eventos foi prejudicada com substancial redução de tamanho, o que não irá tirar o brilho de nossas agremiações pelo tamanho do esforço em cumprir seu compromisso social com toda a comunidade.

Diogo Vasconcelos
As Pecinhas de Maceió

Edberto Ticcianeli
Jaraguá Folia

Braga Lira
Pinto da Madrugada

Dinho Lopes
O Carnaval de Edécio Lopes

Weldja Miranda & Leonardo Pinto Jr.
Baile Vermelho & Preto

Ivonilton Mendonça
A Turma da Rolinha

Moacir Albuquerque
Baile Verde & Branco

Ronaldo Andrade
Os Filhinhos da Mamãe

Alfredo Gazzaneo
Os Seresteiros da Pitanguinha

O canto de cisne da CUT

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A tentativa de aprovação do PL 4330 está funcionando como uma fagulha que incendiou a pradaria. De fato, a pretensão da direita de acabar com a CLT levou a CUT, que vinha colaborando com o capital há 12 anos, para uma posição mais à esquerda e uma aliança com as entidades e correntes sindicais socialistas, como o CSP-Conlutas e a Unidade Classista.

O resultado foi uma guinada forte à esquerda, bem expressa neste 15 de abril, na opinião e nas ações dos sindicalistas e trabalhadores, abalando e desmascarando as posições da direita no Parlamento e na sociedade civil.

Nos últimos 12 anos, a direita tinha se acostumado a uma CUT colaboracionista, submetida à hegemonia do PT e à sua estratégia de aliança com o capital. O PMDB e Cia chegaram ao ponto de imaginar que a central se imolaria diante de sua base permanecendo à direita mesmo no contexto de um ataque radical aos direitos trabalhistas. Como o suicídio é algo raro, principalmente no espaço político, a CUT foi obrigada a reagir, mesmo entrando em choque com os interesses dos aliados do PT no Parlamento.

Evidentemente, ninguém erra por 12 anos impunemente. A atual posição cutista é uma demonstração cabal do acerto das correntes sindicais à sua esquerda. A CUT perderá, no médio prazo, sua hegemonia no movimento sindical. Entretanto, mesmo combalida e condenada, conseguirá, pelo seu tamanho, recursos e pelo fato de ter girado à esquerda num ponto essencial, dar uma ajuda decisiva para o conjunto do movimento sindical e os trabalhadores barrarem o PL 4330 e o fim da CLT.

 

O filme Rua das Árvores e a destruição da memória de Maceió

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O historiador inveja as suas fontes orais. O idoso é sério concorrente de quem se arvora a reproduzir em texto um tempo social pretérito. Essas duas ideias se empoleiraram na minha mente quando vi o belo curta-metragem Rua das Árvores, da alagoana Alice Jardim. O filme foca numa casa abandonada da Rua Ladislau Neto (botânico alagoano), mais conhecida na Maceió do presente como Rua das Árvores, e nas memórias de uma moradora. Alice apresenta detalhes da residência, usando vários tipos de enquadramento e luz, enquanto a idosa narra, sem aparecer, suas experiências com a casa, a família, a cidade e a vida. A forma narrativa e seu conteúdo causam profunda catarse no expectador, pois milhares de maceioenses e habitantes de outras urbes do munto têm contido na garganta um grito em defesa da memória social, arquitetônica e urbanística das cidades.

As singularidades do capitalismo e da modernidade na capital alagoana elevaram ao poder, a partir da segunda metade dos anos 1960, uma elite que tem imposto enorme desrespeito aos edifícios e ao desenho urbanístico do passado, maculando, de modo irreversível, a memória urbana de gerações. A memória precisa da materialidade dos lugares, não se conserva e desenvolve apenas a partir de si mesma, como subjetividade pura e isolada do mudo exterior. O espírito precisa do corpo, o camponês anseia pela terra, o cidadão deseja a polis. Em Maceió, há décadas um pai não consegue mostrar ao filho nenhum dos lugares de sua infância e juventude, pois já não existem ou foram completamente descaracterizados. Os suportes arquitetônicos da memória, como praças, edifícios e monumentos, são apenas matéria, não sofrem, mas seu abandono representa o desprezo pela vivência de gerações de seres humanos palpitantes de vida, envoltos em sentimentos e sonhos.

O filme de Alice denuncia sutilmente o abandono dos lugares e a falta de continuidade arquitetônica e urbanística de Maceió nas últimas quatro décadas. Mostra que a arquitetura da cidade não transita, planejadamente, de um estilo mais antigo para um estilo mais contemporâneo. A substituição é feita aleatoriamente e de maneira abrupta, a partir da negação radical do passado. Apenas sobrevive o que é custoso derrubar e pode ser devidamente escondido por fachadas modernosas, como se pode ver nos prédios das lojas do Centro. Este processo é tão generalizado que transforma a cidade num labirinto, pois impede a continuidade dos marcos tomados como pontos de referências espaciais pelos habitantes.

Pelo olhar de Alice, vemos as camadas de tempo e a justaposição de tecnologias domésticas no interior da casa. As janelas fechadas para sempre. Um interruptor do início dos anos 1980. Gambiarras. Ladrilhos de várias épocas. O traço à caneta na parede da cozinha marcando a altura de uma criança.

Dei-nos uma etnografia do cotidiano ou apenas informações detalhadas sobre objetos comuns e poderemos deduzir a indústria, o comércio, a subjetividade coletiva e o poder político. O Capital, de Marx, trás centenas de descrições de fatos cotidianos em suas notas. Uma historiografia da vida comum é uma historiografia da totalidade, desde que se crie um link entre as duas dimensões. A narrativa da moradora, explorada na medida adequada no filme, costura o espólio apresentado e lhe dá sentido. O interior da casa fora montado com objetos importados da Europa. Aquelas paredes foram imersas nos valores morais e estéticos da burguesia. O avô era um rico comerciante e, talvez por isso, não convivia com os netos. A avó, a partir de um recalque surgido da opressão de gênero da qual era vítima, dissera a filha que esta nunca moraria ali quando adulta. A filha herdou a residência e deu continuidade à família debaixo daquele teto.

Este e outros trabalhos de Alice Jardim buscam salvar Maceió do esquecimento e da banalidade. O cotidiano e a imprensa diária apequenam tudo ao nosso redor. Diferente de Recife ou Salvador, Maceió não aparece poética, amada e central na subjetividade dos seus moradores. Só a arte e a ciência são capazes de mostrar uma cidade na sua grandeza humana aos seus próprios habitantes. Pela mão da jovem e sensível cineasta, passamos a ver as singularidades da nossa urbe articuladas com as dimensões universais do fenômeno urbano e, desse modo, superamos, a um só tempo, o bairrismo e a autodepreciação.

Corpos sem certidão de óbito emperram na burocracia

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Apesar do Governo ter dispensado a licitação para a construção de uma extensão provisória do Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML), no bairro do Prado, em Maceió, no fim de outubro, ainda não há prazo nem para o término das obras nem o início da exumação de 200 corpos, enterrados sem perícia nas duas greves dos servidores do instituto na capital alagoana. Decisão do Tribunal de Justiça obriga que as exumações só comecem... 

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A Desenvolve – Agência de Fomento de Alagoas – realiza o lançamento, nesta segunda-feira, 3 de dezembro, no auditório da Secretaria de Planejamento, às 15 hs, do livro “As feiras livres de Maceió – perfil socioeconômico”, um estudo com o resultado de oito pesquisas realizadas por economistas recém-formados pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC) da Universidade Federal de Alagoas. Estas pesquisas foram... 

Caos social alagoano

O termômetro do cotidiano pode ser chamado “rua”, com os sons e os riscos que hoje lhe caracterizam.

Os que jamais descem dos carros e dos pedestais, compreenderão cada vez menos a dinâmica da sociedade, pelo lado de cá, onde os indivíduos são de carne e osso e choram lágrimas de sal.

Maceió se alarga em contrações e sofrimentos, a cada dia. As ruas manifestam cada parto. Cada nova miséria. Todas as desesperanças de um povo que mal consegue tornar-se adulto.

A oralidade dispersa das calçadas. O senho franzido da descrença. Mulheres e homens a vagar, numa solidão cheia de rostos, todos indiferentes e voltados para as bandas do nada.

Quem se crê possuidor, não enxerga as ruas.

A riqueza de quem não tem dinheiro pode ser simbólica. Até a cultura nos separa.

Bajuladores e hipócritas lotam as salas cobertas de carpetes. O ar-condicionado protege as autoridades do ar livre e poluído das ruas enfeitadas de esgotos a céu aberto.

O Riacho Salgadinho lambe ao longe o prédio do Ministério Público do Estado de Alagoas, sede do direitos públicos, cravado no chão quente de Maceió.

O abandonado bairro de Jaraguá silencia diante da Prefeitura Municipal de Maceió, sua solidão saudosista, dos tempos de uma boemia que nada mais justifica.

A bela orla lagunar joga ao vento os ares pútridos das fossas que desaguam em suas entranhas geradoras de peixes e sururus. À sua volta, pululam o tráfico, o sexo, o crime. Cenário esquecido. Útero ativo, gerando sonhos perdidos.

Nas fortes ondas da praia de Cruz das Almas, a crucificação da nossa urbana covardia: esgotos, corpos em oferta diária, sob a vistoria dos coqueirais, tornados cúmplices das agruras noturnas de suas damas e travestis.

Crianças empobrecidas. Mentalidades contaminadas. Representações vendidas. Estado pífio, corrupto. Elementos desenhados nas calçadas…

Jovens viciados. Dificuldades de locomoção, ônibus velhos e passagens caras. Sem saúde ou alimento. Sem escolas suficientes, sem educação. Elementos dispersos na poeira das ruas…

Quantos livros são necessários para nos fazer entender as políticas do caos social alagoano?

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