25 de janeiro de 2013 • 12:13 pm

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Vencemos, e agora?

por JOSÉ MINERVINO NETO* Um grupo se levanta contra a hegemonia de outro, perde consecutivas vezes, não desiste. Um dia, eis a vitória. O doce sabor da conquista, do poder e, claro, da vingança. Bom, numa democracia troca-se vingança por outros nomes como “renovação”, “mudança”, “avanço”. E em União dos Palmares não é diferente (Leia […]

por JOSÉ MINERVINO NETO*

Beto Baia (PSD), prefeito de União dos Palmares: um mandato, uma incerteza

Um grupo se levanta contra a hegemonia de outro, perde consecutivas vezes, não desiste. Um dia, eis a vitória. O doce sabor da conquista, do poder e, claro, da vingança. Bom, numa democracia troca-se vingança por outros nomes como “renovação”, “mudança”, “avanço”. E em União dos Palmares não é diferente (Leia clicando aqui texto do jornalista Gilson Monteiro para entender melhor).

Nas últimas eleições, a oposição sagrou-se vitoriosa sobre a situação, liderada pelo ex-governador do estado Manoel Gomes de Barros, o Mano (PSDB). “Quebraram-se as correntes”, dizem os eleitos. Inegavelmente, é um momento ímpar para um segmento político que jamais esteve no alto poder municipal e que até então tinha de se contentar com as parcas cadeiras no poder legislativo.

As expectativas são grandes, pois o êxito de Beto Baía (PSD), atual prefeito, representa a insatisfação popular diante de um quadro de redundante imobilidade e descaso. Haja vista que União dos Palmares apenas “inchou”, como se diz, e não se preparou para crescer e explorar seu potencial turístico e histórico, nem superou a dependência da atividade canavieira para sua economia.

Como se comportará essa gestão frente a um presente desconfortável: a instabilidade na relação entre o executivo e o legislativo, este já protagonista de uma debandada de vereadores eleitos que apoiaram Baía para o lado da “nova oposição”, porém já acalmados e de volta; a presença mais que efetiva das famílias Pedrosa, Praxedes e demais que investiram na campanha, cujo expoente é o vice-prefeito Eduardo Pedrosa (irmão do falecido José, ex-prefeito); o estado precário das finanças do município, que já obrigou o gestor a decretar estado de emergência por falta de medicamentos nos postos de saúde e merenda nas escolas; enfim, a necessidade de se fazer tantos malabarismos políticos para cumprir os acordos de praxe e as promessas de palanque? E o PT local, ocupante hoje de duas secretarias, de que modo lidará com a necessidade de dividir espaço na gestão com antigos desafetos políticos? E a militância, que deu a cara à tapa, qual lado da face oferecerá se Beto Baía não cumprir seu discurso?

Claro, ainda é cedo. O novo prefeito já cumpriu uma de suas promessas de campanhas mais icônicas, a gratuidade do transporte escolar para os estudantes palmarinos que cursam faculdade em Maceió, já demonstrou sua capacidade de negociação no caso dos vereadores e tem implementado, como pode, seu plano de governo.

 Mesmo assim, podemos chamar a atual gestão de “nova” com tanta gente “velha” no elenco? As correntes foram quebradas de fato? São inquietudes pertinentes e devem ser levadas a sério nas tomadas de decisões. O povo de União dos Palmares anseia por renovação, mudança e avanço reais, sem maquiagem. E a Beto Baía foi dada a oportunidade de protagonizar esse momento promissor, embora frágil e delicado. Que não decepcione o povo para não sofrer o mesmo enxovalho que seus adversários tiveram nas urnas.

 Eu, como sou um cético, se fosse pessoa próxima de Beto, não deixaria passar essa pergunta:

 – Vencemos, e agora?

*     *     *

José Minervino Neto é historiador formado pela Universidade Federal de Alagoas, servidor efetivo da UNEAL lotado no campus de União dos Palmares e blogueiro.

http://10inquietos.blogspot.com.br/

http://intervalodashoras.blogspot.com.br/

5 Comentários

  1. Euclides disse:

    Falou, falou e não falou nada, se não tivesse escrito o texto e mantendo somente o título ficaria mais interessante. ¬¬

  2. José Minervino Neto, acho que você retratou em seu texto, relato de outro momento, nem lembro a época, era criança e a minha vida era correr rua cima, rua baixo na Avenida Basiliano Sarmento. Foi um processo entre os Gomes de Barros e Afrânio Vergetti, acho que neste caso, em seu relato a história se repete, porém por todas as farsas.

    Antonio Jacinto Indio, Brasília – DF.

  3. walter a. disse:

    Um ano se passou e nada mudou… Beto Baia se mostrou mais do mesmo. Correntes não foram quebradas,pelo contrário, foram lustradas.

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