11 de janeiro de 2017 • 10:06 am

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Violência que nos separa, por Juliana Alves

O título veio da minha interpretação ao texto da professora e pesquisadora Juliana Alves, de quem copiei os escritos postos na rede social facebook. Com sua permissão Juliana… Na tarde de ontem, antes de iniciar minha aula, sou surpreendida com o grupo de alunos e alunas que falavam eufóricos, ao mesmo tempo, sem parar: – […]

O título veio da minha interpretação ao texto da professora e pesquisadora Juliana Alves, de quem copiei os escritos postos na rede social facebook. Com sua permissão Juliana…

Na tarde de ontem, antes de iniciar minha aula, sou surpreendida com o grupo de alunos e alunas que falavam eufóricos, ao mesmo tempo, sem parar:

– Tia, o *José não vai mais voltar pra escola.
– É mesmo?! E como vocês sabem disso?
– A vó dele fugiu com ele. Ela ficou medo de perdê-lo também!
– Peraí, do que vocês estão falando? O que houve com o *José? Como vocês sabem disso?
Nesse momento, um silêncio ensurdecedor toma conta da sala. As crianças se entreolham e somente uma toma a inicitiva de me contar o que realmente havia acontecido.
– Sabe o que é, tia?! O outro irmão do José levou um monte de tiro… Era um que tinha 16 anos! Ele morreu… Tinha muito sangue na cabeça dele… E a avó do José foi embora pra longe. Ela tava com muito medo. Ela achava que o *José podia morrer também.
O mesmo silêncio ensurdecedor, agora, toma conta de mim. Tento ser forte para não piorar mais ainda a situação de desespero que já tomava conta de todas aquelas crianças. Sim, crianças…tão pequenas…tão cheias de vida, mas mergulhadas numa miséria de mundo onde a violência impera, onde a morte é palavra de ordem e a luta pela sobrevivência é aquele milésimo de segundo que a todo tempo insiste em bater na memória do pensamento sempre em situação de alerta.
*José não teve uma morte física como os outros irmãos. O menino pobre, negro, morador de favela, criado pelos avós, foi morto de outra forma. A sociedade lhe tirou o direito de poder viver em sua humilde casa, de conviver com seus irmãos, de estudar, de brincar e crescer com os amigos que fez desde muito pequeno… Essa mesma sociedade matou todas as esperanças daquele menino de olhos brilhantes, que queria somente sorrir com liberdade

*José é um nome fictício, usado para a identificação de uma criança de 09 anos, que na última semana esteve comigo…era meu aluno… Ele foi levado para longe..muito longe… E eu não tive tempo de me despedir e dizer o quanto ele foi especial pra mim.

1 Comentário

  1. Simples: o legado da tal “pátria-educadora”; não foi a Sociedade nada que fez isso com “José” ou com seu irmão(dele); foi esse 10governo escarlate; não?
    Abr
    *JG

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